Lutar em defesa do SUS é lutar em defesa da vida

Brasília-DF, sábado, 11 de abril de 2026


Brasília, quinta-feira, 9 de abril de 2026 - 11:34

Lutar em defesa do SUS é lutar em defesa da vida


Por: Gustavo Alves*

Apesar de regulamentado há 36 anos, o Sistema Único de Saúde segue sob ameaça.

Foto: Marcello Casal/ Agência Brasil

O debate sobre a saúde pública no Brasil não carece de diagnóstico. Carece de soluções. O SUS permanece como uma das maiores estruturas de proteção social do mundo, responsável por atender a maioria da população brasileira.

Sua dimensão é, ao mesmo tempo, força e desafio. Mais de 150 milhões de brasileiros dependem exclusivamente do Sistema, o que exige financiamento contínuo, boa gestão e constante adaptação.

No Distrito Federal, os problemas nacionais se manifestam de forma ainda mais aguda. A rede pública enfrenta desfinanciamento severo e processo acelerado de desmonte. A redução de recursos promovida pelo governo local evidencia descaso estrutural com a população.

Os efeitos dessa escolha política já eram visíveis em 2025: atrasos nos repasses ao Hospital da Criança de Brasília resultaram no fechamento de leitos de UTI e enfermaria. No mesmo ano, o orçamento da Saúde foi de R$ 13 bilhões. Para 2026, o próprio governo enviou projeto com corte de R$ 1,1 bilhão. Aprovado sem rodeios. A crise, portanto, não surpreende: foi planejada.

À época, o corte foi atribuído à suposta frustração de receita. Os dados, porém, indicam o contrário. Entre janeiro e novembro de 2025, a arrecadação do DF chegou a R$ 24,14 bilhões, com crescimento nominal de 6,6% e ganho real, mesmo descontada a inflação.

O que se desenha, com mais nitidez a cada dia, é crise aprofundada por decisões políticas e por problemas na gestão financeira, incluindo irregularidades envolvendo o BRB. A situação do SUS no DF e a crise no Hospital da Criança são, assim, consequência direta dessas escolhas políticas do ex-governador e da vice, agora governadora, Celina Leão (PP).

Some-se a isso o papel do Iges, apresentado como solução, mas que acumula críticas: alto custo, limitações operacionais e denúncias recorrentes: de contratos superfaturados à precarização do atendimento e irregularidades trabalhistas.

Ou seja, além dos desafios históricos, o DF passou a conviver com novos problemas criados pela própria condução da política de saúde.

Investir em saúde é investir em desenvolvimento, qualidade de vida e, sobretudo, na preservação da vida. Medidas emergenciais ajudam a conter crises, mas não substituem políticas estruturais. Fortalecer a atenção básica, integrar serviços, agilizar exames, digitalizar processos e valorizar profissionais são caminhos indispensáveis.

O SUS segue como uma das maiores conquistas institucionais do Brasil. Mas continua sob ameaça. A defesa do SUS é dever coletivo, sobretudo dos gestores públicos.

Defender o SUS é, em essência, defender a vida.


(*) Jornalista, especialista em Ciência de Dados e chefe de gabinete na Secretaria Executiva do MDS









Últimas notícias

Notícias relacionadas



REDES SOCIAIS
Facebook Instagram

Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar em Estabelecimentos Particulares de Ensino no Distrito Federal

SCS Quadra 1, Bloco K, Edifício Denasa, Sala 1304,
Brasília-DF, CEP 71398-900 Telefone (61) 3034-8685
recp.saepdf@gmail.com