Brasília, quinta-feira, 7 de maio de 2026 - 10:57
Paim se despede com legado e luta, depois de 40 anos a serviço do trabalhador e da democracia
No último 1º de Maio como senador, Paulo Paim (PT-RS) resgata trajetória forjada nas lutas sociais, defende o fim da escala 6×1 e afirma: “a luta não termina com o mandato”
O discurso, nesta terça-feira (5), foi de despedida, mas não de retirada. Foi de balanço. E de reafirmação. Depois de mandato que foi forjado em defesa dos trabalhadores e da democracia; e nasceu da luta política e sindical.
No plenário do Senado, o senador Paulo Paim (PT-RS) transformou a sessão em homenagem ao Dia do Trabalhador em marco de sua própria trajetória. Após 4 décadas no Congresso Nacional — da Constituinte a 3 mandatos no Senado —, anunciou que não disputará novas eleições.
Mais do que adeus formal, o pronunciamento foi de resgate de origem. Paim relembrou que o mandato não nasceu nos gabinetes, mas “no chão das fábricas, no barulho das máquinas e no suor dos trabalhadores”.
A política, afirmou, só faz sentido quando mantém vínculo direto com a vida concreta da classe trabalhadora.
Direitos, memória e resistência
Ao revisitar a trajetória, o senador destacou a atuação na Constituição de 1988, em defesa do salário mínimo, dos aposentados, das pessoas com deficiência, da igualdade racial e das políticas de inclusão.
Ele citou marcos como o Estatuto do Idoso, o Estatuto da Pessoa com Deficiência e a política de cotas, além da atuação em comissões e CPI (comissões parlamentares de inquérito).
A homenagem recebida das centrais sindicais — sintetizada na publicação “A luta faz a lei” — foi tratada por Paim como reconhecimento coletivo, não individual. “Sem organização popular, a lei não nasce; sem memória, os direitos se perdem”, afirmou, em uma das sínteses mais contundentes do discurso.
Jornada de trabalho no centro do debate
O eixo político da sessão foi o presente. E também o futuro. Paim destacou o avanço do debate sobre a redução da jornada de trabalho, com ênfase no fim da escala 6×1 e na transição para 40 horas semanais, sem redução salarial.
Autor da PEC 148/15, uma das propostas mais antigas sobre o tema, o senador defendeu a unificação de esforços no Congresso.
Para ele, mais importante que a autoria é a aprovação de medida que impacta diretamente milhões de trabalhadores submetidos às jornadas exaustivas.
“Reduzir a jornada é uma política humanitária”, afirmou, ao descrever a realidade de trabalhadores que enfrentam longas horas de trabalho, deslocamento e responsabilidades domésticas. Especialmente as mulheres, sobrecarregadas por jornadas múltiplas.
Despedida do mandato, continuidade da luta
Ao encerrar a fala, Paim deixou claro que a saída dele do Congresso não representa afastamento da vida pública. “A luta não começa nem termina com o mandato”, disse, sinalizando que seguirá atuando nos movimentos sociais, nas universidades e no debate público.
A decisão de não disputar novos cargos foi apresentada como parte de um princípio: saber o momento de abrir espaço para novas lideranças, sem abdicar dos compromissos históricos.
Democracia como horizonte
Em cenário político marcado por tensões, Paim reforçou ponto central da trajetória dele: a defesa incondicional da democracia. “Com a democracia, tudo; sem a democracia, nada”, afirmou.
Ao longo de 40 anos de vida parlamentar, construiu atuação baseada no diálogo. Sem, contudo, segundo ele, “mudar de lado”. A marca que reivindica deixar não é a de vitórias isoladas, mas a de coerência: enfrentar derrotas sem abandonar princípios.
A despedida, assim, não foi um ponto final. Foi passagem. E, como o próprio senador indicou, a continuidade da mesma linha: a política como instrumento de justiça social; dentro e fora do Parlamento.
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