Brasília, segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011 - 13:46
PESQUISA DE OPINIÃO
Impasse sobre mínimo pode colocar em risco popularidade de Dilma
Fonte: R7.com
O valor do salário mínimo, que começa a ser discutido pelo Congresso nesta semana, não afetará apenas o equilíbrio das contas públicas e o poder de consumo dos mais pobres, mas também a taxa de popularidade de Dilma Rousseff nas primeiras pesquisas de opinião após a posse na Presidência da República.
O histórico das pesquisas nos últimos 16 anos indica que a política salarial teve impacto negativo na taxa de aprovação ao governo Fernando Henrique Cardoso.
Em sete de seus oito anos de mandato, FHC enfrentou queda ou oscilação negativa na popularidade na primeira pesquisa após o reajuste do mínimo. Duas dessas quedas, em 1997 e em 2001, foram significativas, de 21 e 12 pontos percentuais, respectivamente.
Esse padrão não se repetiu no governo Luiz Inácio Lula da Silva, que concedeu reajustes maiores em termos reais.
Lula ganhou pontos ou oscilou positivamente em quatro anos, perdeu em três e ficou na mesma em 2010, quando já tinha a taxa recorde de 83% de aprovação.
No acumulado dos oito anos de FHC, o mínimo teve aumento real - acima da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) - de cerca de 30%.
Na gestão de Lula, o avanço foi maior, próximo a 58%, segundo o Ipeadata, banco de dados mantido pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Para Márcia Cavallari, diretora executiva do Ibope, existe a possibilidade de que um reajuste "apertado" do mínimo esfrie a empolgação dos brasileiros em relação ao governo Dilma logo em seu início.
Isso ocorreu em 1995, nos primeiros meses da gestão FHC, quando o então presidente tucano se envolveu em uma polêmica com o Congresso na tentativa de evitar que o piso salarial fosse reajustado de R$ 70 para R$ 100.
Votação
A Câmara deve votar na próxima quarta-feira (16) o projeto de reajuste o salário mínimo. A votação foi definida após um acordo entre parlamentares do governo e da oposição, na noite da quinta-feira (10).
Enquanto o governo propõe o valor de R$ 545, sindicatos e a oposição querem um reajuste maior.
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