Mobilização nacional amplia pressão sobre Senado por jornada de 40 horas e fim da escala 6×1

Brasília-DF, quarta-feira, 1 de julho de 2026


Brasília, quarta-feira, 1 de julho de 2026 - 10:51

Mobilização nacional amplia pressão sobre Senado por jornada de 40 horas e fim da escala 6×1

Atos em todos os estados reuniu centrais sindicais, movimentos sociais e trabalhadores para cobrar votação imediata das propostas. A audiência pública desta quarta-feira (1º), no plenário do Senado, pode marcar novo capítulo da tramitação

Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

As principais centrais sindicais brasileiras levaram às ruas, nesta terça-feira (30), milhares de trabalhadores em uma das maiores jornadas nacionais de mobilização dos últimos anos em defesa da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial, e do fim da escala 6×1.

Realizados simultaneamente em todas as unidades da Federação, os atos representaram nova etapa da pressão social sobre o Senado Federal, onde tramitam as propostas aprovadas pela Câmara dos Deputados (PEC 221/19) e o projeto — PL 1.838/26 — encaminhado pelo governo federal, que trata da regulamentação da jornada e escala.

A mobilização foi organizada conjuntamente por CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB, NCST, Intersindical, Pública e Fórum Sindical dos Trabalhadores, em articulação com as Frentes Brasil Popular, Povo sem Medo e o movimento VAT (Vida Além do Trabalho).

O objetivo comum foi demonstrar que a reivindicação deixou de ser apenas pauta sindical para se consolidar como demanda nacional por melhores condições de trabalho e qualidade de vida.

Atos de Norte a Sul

Embora São Paulo e Rio de Janeiro tenham concentrado as maiores manifestações, a mobilização ocorreu em todos os estados brasileiros, com atos, caminhadas, panfletagens, assembleias, debates públicos e manifestações em frente a sedes de empresas, praças e parlamentos estaduais.

Na capital paulista, milhares de trabalhadores ocuparam o Vão Livre do Masp, na Avenida Paulista, em ato unificado das centrais sindicais e movimentos populares. Faixas, cartazes e palavras de ordem cobravam do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a inclusão imediata da proposta na pauta da Casa.

No Rio de Janeiro, a mobilização teve início pela manhã, em frente à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), reunindo trabalhadores da saúde, comerciários, bancários, servidores públicos e representantes de diversas categorias.

Participantes relataram que a atual escala compromete o convívio familiar, o descanso e a saúde física e mental dos trabalhadores.

Também foram registrados atos em capitais como Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Manaus, Goiânia, Campo Grande, Cuiabá, João Pessoa, Natal, Teresina, Aracaju, Maceió, Vitória, Florianópolis, São Luís, Palmas, Boa Vista, Macapá, Porto Velho e Rio Branco, além de manifestações em cidades do interior organizadas por federações e sindicatos filiados às centrais.

Pressão coordenada sobre o Senado

Os protestos encerraram a estratégica construída pelas centrais ao longo dos últimos dias. 

Na segunda-feira (29), sindicatos intensificaram campanhas digitais, divulgaram estudos sobre os benefícios econômicos e sociais da redução da jornada e estimularam trabalhadores a pressionarem diretamente os senadores por meio de plataformas de mobilização e das redes digitais.

Segundo os dirigentes sindicais, a aprovação obtida na Câmara transferiu para o Senado a responsabilidade de decidir sobre uma das mais relevantes mudanças na legislação trabalhista desde a Constituição de 1988.

A avaliação predominante entre as entidades é que a tramitação somente avançará mediante forte pressão social e política.

Mudança no mundo do trabalho

Além da reivindicação histórica de redução da jornada, os organizadores destacam que o debate envolve profundas transformações no mercado de trabalho.

As centrais argumentam que o aumento da produtividade, a digitalização da economia e os avanços tecnológicos permitem reorganizar o tempo de trabalho sem prejuízo da produção. 

Sustentam ainda que jornadas menores contribuem para reduzir acidentes, afastamentos por adoecimento, estresse ocupacional e problemas relacionados à saúde mental, além de ampliar o tempo destinado à convivência familiar, aos estudos, ao lazer e à qualificação profissional.

Também defendem que a redução da jornada pode estimular novas contratações e melhorar a distribuição do trabalho em diversos setores econômicos.

Audiência pública pode acelerar tramitação

O movimento sindical considera decisiva a agenda desta quarta-feira (1º), quando o Senado Federal realizará, às 10 horas, audiência pública no plenário para discutir a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.

O debate reunirá representantes das centrais sindicais, especialistas, movimentos sociais, empresários e parlamentares. Antes da audiência, dirigentes das centrais têm reunião prevista com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para defender o avanço da matéria e solicitar prioridade na tramitação.

A expectativa das entidades é que a audiência represente o início efetivo da análise da proposta pelo Senado, após mais de 1 mês sem movimentação significativa da matéria.

Propostas em análise

O Senado analisa atualmente diferentes iniciativas sobre a reorganização da jornada de trabalho.

Entre essas está o PL 1.838/26, encaminhado pelo governo federal, que estabelece jornada máxima de 40 horas semanais e assegura 2 dias de descanso, além da proposta de emenda constitucional aprovada pela Câmara dos Deputados, que extingue a escala 6×1, preservando salários e prevendo regras de transição para adaptação das empresas.

O PL terá o objetivo de regulamentar a jornada e a nova escala, além de tratar de questões específicas das relações de trabalho que serão alteradas.

Mobilização permanente

As centrais sindicais afirmaram que os atos desta terça-feira não encerram a campanha. A estratégia prevê novas manifestações nacionais, visitas aos gabinetes dos senadores, articulação com assembleias legislativas, produção de estudos técnicos e ampliação da mobilização nas redes sociais.

A avaliação das lideranças é que a expressiva participação registrada nos estados demonstra que a redução da jornada de trabalho deixou de ser pauta restrita ao movimento sindical para se transformar em reivindicação social ampla, cujo desfecho passa, agora, pelas decisões do Senado Federal.









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