Alvo da direita conservadora, o voto feminino pode definir os rumos das eleições

Brasília-DF, sexta-feira, 31 de julho de 2026


Brasília, sexta-feira, 31 de julho de 2026 - 12:27

Alvo da direita conservadora, o voto feminino pode definir os rumos das eleições

Número de mulheres aptas a votar em 2026 representa 52,84% do total de eleitores no País; alta de 1,83%, se comparado a 2022. No DF, elas somam 54% dos votantes, dentre as quais muitas são auxiliares em administração escolar. Significa que o poder decisório da política atual se direciona, cada vez mais, para as mãos das mulheres

Foto: Paulo Pinto/ Agência Brasil

Com a proximidade das eleições gerais de 2026, discursos contrários ao direito ao voto feminino tentam ocupar o espaço digital. Buscam o convencimento de adultos e jovens, em investidas que revelam algo além da opinião ou do ódio: o medo.

“O que se observa é que, a cada ano eleitoral, a participação feminina se faz mais decisiva na escolha de governantes”, aponta a presidente do SAEP, Maria de Jesus da Silva. 

Segundo a sindicalista, esse fenômeno tende a, também, aproximar mais as mulheres — na condição de grupo social com interesses e prioridades — das instâncias definidoras de políticas públicas e de elaboração de estratégias econômicas e sociais.


Elas em alta

O crescimento do número de eleitoras é tendência estatística observada nas últimas décadas no Brasil. Em 2014, eram pouco mais de 74.459 milhões de alistadas aptas a votar; no pleito seguinte, em 2018, mais de 77.339 milhões de mulheres foram às urnas.

Em 2022, houve alta considerável. O pleito passado contou com a participação de mais de 83.373 milhões de eleitoras ou 52,65% do eleitorado nacional. 

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em 2026, elas passaram mais de 83.877 milhões de eleitoras ou 52,84% do total de aptos a votar. A alta foi de 1,83%, enquanto o número de homens subiu 1,08%.

No Distrito Federal, as auxiliares em administração escolar se somam às mais de 1 milhão e 219 mil mulheres eleitoras. O número representa 54% dos votos no DF e atesta o peso do voto feminino na capital federal.

Para a presidente do SAEP, não basta ser maioria se essa maioria não votar de forma consciente. “O Sindicato está aí para isso também: sempre orientar para que as trabalhadoras e os trabalhadores elejam quem está comprometido com a defesa dos seus direitos”, explica Maria de Jesus.

Diferentes gerações
e visões de mundo

Considerando o território nacional, as alistadas têm entre 16 a mais de 100 anos de idade. O maior volume está concentrado nos grupos entre 40 a 44 anos (8.371.920). Em seguida, vem os grupos etários de 45 a 49 anos (8.015.000) e de 35 a 39 anos (7.985,263).

São mulheres em idade economicamente ativa, sendo muitas delas trabalhadoras, sejam celetistas, autônomas ou “pejotizadas”. Juntas, compõem  grupo diverso, que acompanha as transformações da sociedade. 

“Nos tempos atuais, a mulher deixou de ter função exclusiva de cuidadora do lar”, comenta Maria de Jesus. “Boa parte compreende que as atividades domésticas são responsabilidade de todos que moram na residência. Só que, agora, elas também precisam trabalhar fora para sustentar as famílias”, pontua a presidente do SAEP, em relação às duplas e triplas jornadas.

Não significa que elas deixem as preocupações familiares de lado. Ao contrário.


Distorção da vida real

O discurso contra o voto das mulheres chama mais atenção pelo absurdo do que pela possibilidade de alguma coerência. “Parece mais tentativa de quebrar a lógica da realidade”, avalia Maria de Jesus.

Em geral, os que pedem a retirada do direito ao voto feminino tentam algum respaldo em ideias machistas e misóginas, que remontam o século 19. Um dos argumentos seria de que o homem deve ser o provedor.

Ignoram que mais da metade dos lares (52%) no Brasil são sustentados por mulheres. São mais de 41 milhões de domicílios, segundo apurou a FGV (Fundação Getúlio Vargas) com base em dados do IBGE.

Falas que parecem saídas do universo “coach” afirmam que mulheres, por serem naturais cuidadoras, estariam fadadas a fazer “más” escolhas. 

Ao contrário dessa falsa premissa, em 2022, a Genial/Quaest apurou que, embora mutável, a intenção de voto das mulheres tende a ir para as propostas mais orientadas à vida doméstica, concentradas em preocupações mais latentes como: preços de alimentos, empregabilidade de filhos e maridos, saúde, poder de compra do salário mínimo etc.


Luta pela legítima
representatividade

A participação das mulheres, que foi normatizada em 1932 — para viúvas e solteiras com profissão — e tornada compulsória só em 1965, passou a ter maior relevância. Mas a presença feminina nos cargos políticos ainda é pequena.

O TSE registrou que, em 2022, de 9.794 mulheres candidatas a cargos na Câmara dos Deputados, Senado Federal, assembleias legislativas e governos estaduais, apenas 302 foram eleitas — 3,1%.

Entre os 19.072 candidatos homens, o número foi de 1.394 eleitos — pouco mais de 7%.

Ações como o Mais Mulheres na Política e as regras eleitorais que reservam cota de 30% e recursos do fundo partidário ainda se mostram pouco eficazes.









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