Jornada menor, pressão maior dos representantes dos trabalhadores

Brasília-DF, quarta-feira, 20 de maio de 2026


Brasília, quarta-feira, 20 de maio de 2026 - 12:4

Jornada menor, pressão maior dos representantes dos trabalhadores

Centrais sindicais e DIAP cobram aprovação imediata das 40 horas semanais e do fim da escala 6x1. Entidades rejeitam transição longa e compensações ao empresariado

Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos deputados

Representantes das principais centrais sindicais do País e do DIAP defenderam, nesta terça-feira (19), na comissão especial da Câmara que debate a redução da jornada de trabalho, a aprovação imediata da jornada semanal de 40 horas sem redução salarial e o fim da escala 6x1. 

Em tom uníssono, CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, Intersindical, Fórum Sindical dos Trabalhadores e DIAP classificaram a proposta como “pauta histórica”, vinculada à saúde, à dignidade e à redistribuição dos ganhos de produtividade acumulados nas últimas décadas.

O presidente da CUT, Sérgio Nobre, afirmou que a escala 6x1 tornou “impossível conciliar trabalho e vida”. Segundo ele, pesquisa nacional encomendada pelas centrais ao Vox Populi mostrou que 80% dos entrevistados defendem a redução da jornada e o fim da escala atual. Para o dirigente, o debate já não se restringe ao mundo sindical, mas expressa “o principal anseio da classe trabalhadora”.

As centrais também rebateram o argumento patronal de que a redução da jornada elevaria custos e reduziria a produtividade. Os dirigentes sustentaram que experiências acumuladas em acordos coletivos demonstram exatamente o contrário: queda do absenteísmo, redução de acidentes de trabalho, melhora da produtividade e aumento da qualidade de vida.


Contra compensações e “transição eterna”

Outro ponto central da audiência foi a rejeição às propostas de compensação ao setor empresarial. Lideranças sindicais criticaram duramente a hipótese de redução de direitos trabalhistas, como mudanças no FGTS, para viabilizar a diminuição da jornada. “Isso seria um crime contra o trabalhador”, afirmou Sérgio Nobre.

Representando a Força Sindical, Sergio Luiz Leite destacou que a redução da jornada acompanha a história das lutas trabalhistas desde a greve geral de 1917 e afirmou que o País já reúne condições econômicas e tecnológicas para avançar imediatamente. “Estamos em transição desde 1988”, disse, ao rejeitar novos adiamentos.

Na mesma linha, dirigentes da CTB, UGT e NCST sustentaram que a modernização tecnológica e os ganhos de produtividade foram apropriados majoritariamente pelo capital, sem retorno proporcional aos trabalhadores em forma de redução do tempo de trabalho.


Mulheres, exaustão e desigualdade

A presidente da NCST, Sônia Maria Zerino da Silva, enfatizou o impacto da escala 6x1 sobre as mulheres, submetidas à dupla e até tripla jornada. 

Segundo ela, a redução da jornada representa também pauta de equidade de gênero, ao ampliar o tempo disponível para cuidados pessoais, qualificação e convivência familiar.

Representantes das centrais relataram ainda o crescimento de adoecimentos físicos e mentais associados às jornadas extensas, ao excesso de horas extras e aos longos deslocamentos urbanos. Para os dirigentes, a discussão deixou de ser apenas econômica e passou a envolver saúde pública e qualidade de vida.


DIAP vê “consenso social” sobre redução

Representando o DIAP, Neuriberg Dias afirmou que há hoje “sentimento consolidado” na Câmara favorável à redução da jornada. Segundo ele, o principal foco de disputa passou a ser o prazo de transição.

Neuriberg resgatou o histórico do debate desde a Constituinte de 1988 e argumentou que o País já perdeu tempo suficiente. Dados apresentados por ele mostram que grande parte das categorias já opera com jornadas inferiores a 44 horas graças à negociação coletiva.

Para o representante do DIAP, a redução para 40 horas e o fim da escala 6x1 refletem mudança estrutural do mercado de trabalho diante da automação, da digitalização e das transformações tecnológicas.









Últimas notícias

Notícias relacionadas



REDES SOCIAIS
Facebook Instagram

Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar em Estabelecimentos Particulares de Ensino no Distrito Federal

SCS Quadra 1, Bloco K, Edifício Denasa, Sala 1304,
Brasília-DF, CEP 71398-900 Telefone (61) 3034-8685
recp.saepdf@gmail.com