Brasília, segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026 - 16:10
Fim da escala 6×1 avança no Congresso em meio à pressão da sociedade e do movimento sindical
PEC do fim da escala 6×1 ganha fôlego no Congresso e no movimento sindical enquanto empresas já experimentam o modelo 5×2 no interior paulista. O debate deve se aprofundar em comissão especial, com forte articulação de sindicatos e empresários, em meio a desafios econômicos e políticos
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 8/25, da deputada Erika Hilton (PSol-SP), que propõe o fim da tradicional escala 6×1 — em que o trabalhador cumpre 6 dias de trabalho para apenas 1 de descanso — foi encaminhada à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), dando início ao rito legislativo que, posteriormente, deve seguir para comissão especial e depois ao plenário.
O objetivo, disse Motta, é abrir “debate equilibrado e responsável, ouvindo trabalhadores e empregadores”.
A proposta estava “esquecida” numa subcomissão da Comissão de Trabalho, onde propositalmente não chamava a atenção e nem tinha a atenção necessária para “caminhar” na Casa legislativa.
O tema entrou na agenda nacional e tem gerado amplo debate na sociedade, entre entidades sindicais, trabalhadores e representantes patronais.
Espírito Santo
A partir de março, supermercados, hipermercados e atacarejos do Estado do Espírito Santo adotarão nova escala de trabalho, que inclui o modelo 5x2 (5 dias de trabalho para 2 dias de descanso), com o fechamento das portas aos domingos.
Essa mudança é fruto de acordo coletivo firmado entre representantes dos trabalhadores (Sindicomerciários-ES) e do patronato (Fecomércio-ES), em caráter experimental previsto para durar entre 1º de março e outubro de 2026.
PEC no Senado
A proposta está sendo estudada enquanto outras iniciativas paralelas tramitam também no Senado, onde PEC aprovada pela CCJ da Casa define a redução gradativa da jornada semanal para até 36 horas e a garantia de pelo menos 2 dias de descanso remunerado por semana.
Esta proposta é de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS).
De acordo com a PEC 148/15, o fim da chamada escala 6x1 ocorrerá de forma gradual. No ano de publicação do texto, as regras atuais se manterão.
No ano seguinte, o número de descansos semanais passará de 1 dia, como é hoje, para 2 dias na semana e a jornada começará a ser reduzida. Apenas 6 anos depois os novos direitos estarão plenamente instituídos, segundo está no texto aprovado pela CCJ do Senado.
Sindicatos intensificam mobilização
O debate não se restringe ao Congresso. O movimento sindical tem protagonizado mobilizações e ações para pressionar por mudanças profundas na legislação trabalhista.
O Sindicato dos Comerciários do Estado de São Paulo e a UGT (União Geral dos Trabalhadores), sob a liderança de Ricardo Patah, têm colocado a pauta do fim da escala 6×1 como central na agenda de 2026.
Segundo Patah, a jornada atual é “exaustiva, desumana e incompatível com os avanços sociais e tecnológicos do Brasil”. “Estamos diante de uma questão de sociedade. Que tipo de país queremos construir?”, declarou em entrevista recente, ressaltando que a discussão envolve saúde física e mental, convivência familiar e direito ao lazer.
Em ações sindicais e seminários, Patah reafirmou que a mudança não é apenas trabalhista, mas avanço civilizatório, destacando que sindicatos estão intensificando campanhas para adotar o modelo 5×2 — 5 dias de trabalho e 2 de descanso — e mobilizando trabalhadores em diversas frentes, incluindo redes sociais e articulação política em Brasília.
A jornada de trabalho precisa ser enfrentada no Parlamento”, afirmou, apontando que a sociedade precisa compreender essa pauta não como privilégio, mas como passo para “qualidade de vida e justiça social”.
Empresas do interior paulista ensaiam mudanças
Enquanto a tramitação legislativa se desenrola, empresas se antecipam às mudanças no mercado de trabalho.
Redes de supermercados e varejo farmacêutico no interior do Estado de São Paulo, como a Pague Menos e grandes cadeias de drogarias, adotaram o modelo 5×2, com 2 dias de descanso semanal, reduzindo ou reorganizando o funcionamento das unidades para se adaptar a esse padrão.
Proprietários desses estabelecimentos afirmam que a mudança visa conciliar a geração de empregos com melhores condições de trabalho e retenção de talentos, enquanto trabalhadores relatam melhoria no equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Reações e desafios
Nem todos os setores veem a mudança com otimismo. Representantes empresariais alertam para possíveis impactos econômicos e operacionais, defendendo negociações coletivas como espaço para ajustes setoriais, em vez de imposição generalizada por lei.
No Congresso, a tramitação das PEC ainda enfrenta etapas cruciais: após análise pela CCJ da Câmara, o texto será debatido em comissão especial, onde poderá receber emendas e ajustes, antes de ir ao plenário para votação em 2 turnos.
Caso seja aprovado, seguirá ao Senado — caminho que demandará novas negociações políticas intensas nos próximos meses.
Na CCJ da Câmara, a discussão gira em torno da constitucionalidade do texto. Na comissão especial, os deputados irão debater o mérito da matéria. No Senado, a CCJ discute, simultaneamente, constitucionalidade e mérito.
“Paulda de sodiciedade”
Para sindicalistas, o fim da escala 6×1 é pauta que ultrapassa os muros das negociações trabalhistas e se confunde com demandas por saúde, bem-estar e justiça social.
“Não é admissível que, em pleno século 21, ainda não tenhamos garantido o direito ao lazer”, reforçou Patah, apontando para a necessidade de novo pacto social sobre trabalho e descanso.
Últimas notícias
Patah intensifica campanha pelo fim da escala 6x1 e pressiona Congresso por mudança na jornada
6/2 - 12:32 |
Menos horas, mais saúde
5/2 - 19:13 |
STF e PGR chancelam pejotização: risco de tornar CLT opcional aos patrões
5/2 - 18:20 |
O Brasil real rejeita precarização: 56% querem voltar à CLT e empreendem por falta de opção
2/2 - 17:30 |
Reformulação de ações serão debatidas em 1ª reunião de diretoria de 2026

