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14/7/2010 19:26:53

ANÁLISE DA NOTÍCIA
Auxiliar com cargo de chefia é patrão?

Não. Não deveria ser. A rigor não é. Nas reuniões que o Sindicato realiza com os auxiliares em educação nas instituições de ensino, tem sido comum que auxiliares que exercem cargo de chefia se comportarem como patrões ou proprietários

Por: Marcos Verlaine*
reprodução 

Não. Não deveria ser. A rigor não é. Mas parece que esses ou essas trabalhadoras quando exercem cargo de chefia se arvoram em patrões. Comportam-se como patrões.

É a cultura de "capitão-do-mato" ou "feitor", que remonta ao período do escravismo no Brasil.

Nas reuniões que o Sindicato realiza com os auxiliares em educação nas instituições de ensino, tem sido comum que auxiliares que exercem cargo de chefia se comportarem como patrões.

Com atitudes que extrapolam a função. São verdadeiros feitores, algozes de seus colegas.

Queremos lembrá-los que, embora exerçam cargo de chefia, são auxiliares em educação, que podem ser demitidos como os demais colegas trabalhadores em educação. Assim, deveriam ter postura de colega, não de feitor ou capitão-do-mato.

O Sindicato respeita o trabalho desses colegas que exercem esses cargos de chefia, porém repudia essas atitudes, que enfraquecem ou tentam enfraquecer o trabalho da entidade sindical que procura se estruturar e se fortalecer, inclusive para defender os direitos desses trabalhadores.

É importante destacar, que em caso de demissão de um colega que exerça cargo de chefia na instituição de ensino, a rescisão será homologada no SAEP. Assim, é inaceitável atitudes como a que ocorreu em reunião no Colégio Sigma da Asa Sul.

Com a reunião em vias de encerramento, uma auxiliar de ensino da escola entrou na sala em que acontecia a conversa entre os diretores do Sindicato e os trabalhadores e tentou proibir a jornalista do SAEP de fotografar o evento - praxe que acontece em todas as reuniões com a entidade - para registrar o encontro; mostrando, assim, sua autoridade de "chefe" do colégio.

Impostura
Os trabalhadores em educação que exercem cargo de chefia, como membros da categoria, são essenciais para o fortalecimento da luta por melhores condições de trabalho, salário e relações de trabalho.

Mas vamos criticar com contundência e veemência quando percebermos que esses colegas participarem dessas reuniões com papel de olheiro ou alcaguete de patrão ou de qualquer um que seja seu superior.

E mais, se algum colega se prestar a um papel assim, o Sindicato não terá nenhum tipo de complacência em denunciar publicamente isso que chamamos elegantemente de impostura, mas que merece outro adjetivo.

Não aceitaremos que esses colegas, não são todos, é claro, pois a generalização seria um erro grosseiro, participem desses encontros para intimidar ou inibir seus subordinados. Essa é uma atitude antiética com qual o Sindicato não compactuará e, reiteramos, será sempre denunciada com vigor.

Capitão-do-mato
O capitão-do-mato era na origem um empregado público da última categoria encarregado de reprimir os pequenos delitos ocorridos no campo. Na sociedade escravocrata brasileira, a tarefa principal ficou a de capturar os escravos fugitivos.

O termo capitão-do-mato passou a incluir aqueles que, moradores da cidade ou dos interiores das províncias, capturavam fugitivos para depois entregá-los aos seus amos mediante prêmio.

Os capitães-do-mato gozavam de pouquíssimo prestigio social, seja entre os cativos que tinham neles os seus inimigos naturais, seja na sociedade escravocrata, que os considerava inferiores até em relação aos praças de polícia, e os suspeitava de seqüestrar escravos apanhados ao acaso, esperando vê-los declarados em fuga para depois devolvê-los contra recompensa.

Feitor
O significado do adjetivo "feitor", segundo o Dicionário Aurélio, é administrador de bens alheios; gestor. Superintendente que distribui e fiscaliza o serviço de trabalhadores, particularmente escravos; capataz.

(*) Jornalista, é assessor de comunicação do SAEP

Leia também:
Sindicato se reúne com auxiliares de educação do colégio Sigma




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